Apresentação da bacia do rio Juruena

Bacia do rio Juruena. Foto: Thiago Foresti

Por Andrea Jakubaszko/Rede Juruena Vivo

Os corpos d´água da bacia do Juruena banham 70% do território do estado de Mato Grosso. Essas águas cristalinas com altos índices de pureza, segundo especialistas da academia mato-grossense, parecem como água destilada de tão limpas. São apropriadas ao consumo humano e vitais para a biodiversidade de rara composição presente nessas paisagens.

O rio Juruena se avoluma de grandeza e abundância recebendo vida, história e força a partir de inúmeros tributários de incomparáveis belezas e particularidades como o rio Sacre, Verde, Papagaio, Buriti, Sangue, Cravari, Peixes e tantos outros conhecidos por seus potenciais:

Ecoturísticos – banhos, passeios, festivais de pesca, observação de espécies, canoagem;

Alimentares e medicinais – frutos, ervas, peixes, mel e animais silvestres todos de altíssimo valor e qualidade nutricional comprovada;

Estéticos – espécies ornamentais, fotografia, pintura, literatura, arquitetura, biojóias, cosméticos;

Científico – taxonomias por serem construídas, sítios arqueológicos, espécies endêmicas, ecótonos a desvendar, técnicas de manejo adaptado praticadas pelos nativos (povos indígenas e comunidades tradicionais, pescadores, beiradeiros, agricultores familiares da região), técnicas ancestrais de cultivo e seleção e aprimoramento genético de espécies, além de toda a diversidade cultural, linguística, cultura material e patrimônios imateriais.

Todos esses potenciais, entre outros, estão em situação de risco elevado, são subaproveitados e carecem de incentivos e pesquisas básicas. Se valorizadas as devidas riquezas por meio de uma gestão compartilhada e responsável dessa bacia hidrográfica, elas podem gerar ainda maiores benefícios para o bem comum.

Passando por lagoas, barreiros, praias, cachoeiras majestosas, os afluentes mergulham no Juruena que, atravessando corredeiras, segue seu desfile suntuoso, saudando o encontro com o Arinos para juntos desaguarem pelo exuberante Salto Augusto em direção Tapajós.

Cuidar desse valioso monumento de águas vivas depende do reconhecimento e valorização dos cidadãos mato-grossenses em primeiro lugar, porque ele nasce aqui no nosso Cerrado. E, não à toa, o bioma Cerrado é batizado de berço das águas, fonte primordial que é pai e mãe da bacia Amazônica, do Paraguai, do São Francisco, do Paraná, etc. O Juruena brota em olhos lá nas cabeceiras localizadas no Chapadão do Paresi e, transitando pelos biomas Cerrado e Floresta Amazônica, dilui-se na divisa com o estado do Pará entrando, como Tapajós, pela margem direita do rio Amazonas.

Assim, o Juruena é bem Mato Grosso, é todo Mato Grosso! E isso nos dá autonomia para pensar o que queremos para o nosso futuro, já que ele depende sim, e muito, do Juruena Vivo.

Será que queremos ignorar toda a sua riqueza e importância central para o estado e para a perenidade da própria bacia Amazônica, tornando-o um conjunto de lagos estéril para somente produção de energia e concentração de capital? Mesmo sabendo que os países desenvolvidos estão investindo massivamente em fontes solar e eólica, com tecnologias de ponta, e que o sol por aqui é bastante generoso?  Será que os tantos migrantes que buscaram o abrigo seguro dos braços do Juruena, quando viram suas terras e casas inundadas por Itaipu, terão que enfrentar mais uma vez esta cruel realidade? Será que as lições para aprender com a crise hídrica do sudeste brasileiro e com empreendimentos de baixa produtividade e alto custo econômico e social não nos ensinam e inspiram caminhos diferentes e melhores?

Perguntas que precisam ser encaradas por aqueles que zelam com carinho por sua casa, pelo Tesouro Nacional, pelos patrimônios da humanidade.

A exploração intensiva e predatória que a bacia hidrográfica do Juruena enfrenta há um século só poderá ser controlada quando seus moradores perceberem o valor real de sua morada, sentindo-se parte desse lugar, pertencente e merecedor das dádivas do Juruena. Afinal, no meio de tanta riqueza paradisíaca, não há porque produzir misérias, conflitos e violência.

Hoje já ocorrem iniciativas isoladas de grupos, pessoas e instituições arriscando projetos sustentáveis e alternativas produtivas que podem ganhar terreno se todos tiverem oportunidades de se unir para trocar e multiplicar experiências, além de somar esforços por um futuro digno de bem-estar e prosperidade.

Curso livre ao Juruena! Mergulhe nessa vida, mergulhe nessas águas.

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