Rios e cidadania

Rede Juruena Vivo e OPAN promovem exposição fotográfica em Brasnorte e discutem a importância da participação popular no planejamento do uso de recursos hídricos.

Por Mel Mendes/OPAN

Professores e estudantes do ensino básico participando da atividade. Foto: Luana Fowler/OPAN.

Professores e estudantes do ensino básico participando da atividade. Foto: Luana Fowler/OPAN.

Brasnorte, MT – Alunos e professores da Escola Estadual Edwaldo Meyer Roderjan e do Colégio Salesiano São Gonçalo, em Brasnorte, tiveram a oportunidade de viajar pelos rios do Brasil sem sair do pátio e refletir, através de exemplos concretos, sobre o bom uso da água, fundamental para a manutenção da vida na Terra. A “Exposição das Águas”, atividade oferecida pela Rede Juruena Vivo e pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) no Dia Mundial da Água (22/03), discutiu também os potenciais impactos à bacia do Juruena caso os mais de 100 projetos hidrelétricos previstos para a região se concretizem, assim como a importância da participação da sociedade no planejamento energético local.

A exposição trouxe imagens de vários rios do Brasil, como Tietê (SP), Xingu (PA) e Madeira (RO), mostrando, por meio da comparação entre fotos antigas e atuais, os impactos da intervenção humana e suas consequências, com o objetivo de informar e sensibilizar sobre a importância da preservação dos recursos hídricos em contextos macro e microrregionais. Além da exposição fotográfica, foram exibidos vídeos que demonstraram como a degradação de rios, nascentes e mananciais têm sido uma constante em nosso país, afetando a biodiversidade e a qualidade de vida das pessoas.

As atividades envolveram cerca de 350 pessoas de diferentes idades, do ensino fundamental e médio. Após ver as fotos e os vídeos, os participantes puderam tirar dúvidas e debater o tema em rodas de conversa realizadas no pátio da escola. De acordo com a equipe organizadora, essa atividade deixou clara a necessidade de mais informações qualificadas e espaços de discussão: “De forma geral, a carência de informações na região faz com que as pessoas fiquem à margem de processos que os afetam direta e indiretamente”, afirmou a indigenista Catiúscia Custódio, reforçando a importância do fortalecimento de redes de participação e controle social como a Rede Juruena Vivo.

Sobre a Rede Juruena Vivo

A Rede Juruena Vivo é uma rede de troca de informações, experiências e articulações formada por organizações da sociedade civil, agricultores familiares, indígenas, estudantes, acadêmicos, coletivos (associações comunitárias e fóruns de mobilização social), servidores públicos e empresas com o objetivo de contribuir com a criação de espaços políticos locais para promover a participação social e a cidadania na bacia do Juruena, com ênfase na gestão ambiental e de recursos hídricos (conselhos municipais, comitês populares, comitês de bacias hidrográficas etc.).

Além disso, a rede pretende colaborar com as iniciativas de fomento ao desenvolvimento sustentável na região e dar visibilidade à importância da integridade da sub-bacia hidrográfica do Juruena, formadora da bacia do Tapajós, para a economia, a biodiversidade, a qualidade de vida da população da região e o clima.

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