‘O Brasil em guerra contra seus povos’: a abertura do Festival Juruena Vivo

Na cerimônia de abertura, um debate marcou o início do III Festival Juruena Vivo. Experiências de resistência em Belo Monte e no Tapajós inspiram luta no Mato Grosso.

Por Paulo Motoryn / Fotos de João Miranda

Na noite desta quinta-feira (27), a abertura do III Festival Juruena Vivo deu conta de mostrar a diversidade cultural presente na cidade de Juara (MT) para o evento. O tema da mesa era provocativo: rios e redes. O objetivo proposto para o debate foi a construção de alianças em defesa da vida, do rio e dos povos da Amazônia.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

A co-fundadora da Rede Juruena Vivo e membro da OPAN (Operação Amazônia Nativa), Andrea Jakubasko, saudou cada um dos povos indígenas presentes: Manoki, Nambikwara, Myky, Rikbatsa, Munduruku, Apiaká-Kayabi.

Na mesa, Daniela Silva, moradora de Altamira (PA), do movimento Xingu Para Sempre, relatou a experiência de resistência contra os impactos do complexo hidrelétrico de Belo Monte.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

“É preciso denunciar o que aconteceu em Altamira: um crime legitimado pelo Estado brasileiro, um crime que viola os direitos de populações indígenas e ribeirinhas. Volta todos os direitos humanos”, contou.

Após ler uma poesia chamada “Carta de Mariana à Amazônia”, ela disse: “Os projetos vêm para destruir a vida das populações. São predatórios e desconsideram o modo de vida dos povos do rio”.

Outro convidado que dividiu as experiências de defesa e proteção da água no Pará foi Edilberto Sena, morador de Santarém e integrante do Movimento Tapajós Vivo: “Viajamos em 28 pessoas por mais de 20 horas para nos unir com vocês”.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

“Eu gostaria de insistir aos moradores de Juara, aos parentes indígenas, às comunidades, que estreitemos o companheirismo na defesa do nosso território, dos nossos rios. Contem conosco”, afirmou.

“Estamos vivendo uma guerra no Brasil. Literalmente, é a guerra do capital contra os seres humanos. Uma guerra contra os povos do Brasil. Os sinais de guerra estão aparecendo cada vez mais”, concluiu Edilberto.

Lisanil Patrocínio, professora da UNEMAT (Universidade Estadual de Mato Grosso), citou o pensador Boaventura Sousa Santos para dizer que as juventudes e as mulheres serão protagonistas da luta ambiental.

O diretor do campus da UNEMAT em Juara, Gildete Evangelista, disse ser uma honra para a cidade a presença de tantos povos diferentes e colocou as instalações da universidade a serviço do encontro.

Depois do debate, indígenas Kayabi realizaram uma apresentação de dança tradicional de sua etnia e encerraram o primeiro dia do III Festival Juruena Vivo.

Indígenas Kayabi se apresentam na abertura do Festival. Foto: João Miranda

Indígenas Kayabi se apresentam na abertura do Festival. Foto: João Miranda

Após Cotriguaçu em 2014 e Juína em 2015, é a vez de Juara sentir a energia de resistência e cultura em defesa da Amazônia: e foi apenas o primeiro dia de Festival.

Fonte: Revista VaiDáPé

III Festival Juruena Vivo: cultura e resistência no coração do Brasil

Entre os dias 27 e 30 de outubro, os 30.000 habitantes da cidade de Juara (MT) recebem indígenas e movimentos sociais da Bacia do Juruena em luta pela preservação de seus territórios e modos de vida

Por Paulo Motoryn / Fotos: João Miranda

Começou nesta quinta-feira (27), o III Festival Juruena Vivo na cidade de Juara (MT). O evento celebra a diversidade cultural e ambiental do Rio Juruena, que cada vez mais tem sua bacia impactada por interesses no potencial hidrelétrico da região.

A sub-bacia do Juruena abrange 190.931 km2 e é composta por dezenas de rios. Só o Rio Juruena é responsável por 70% das águas que formam o Tapajós no estado do Mato Grosso. Dez diferentes povos indígenas lutam para preservar seu modo de vida na Bacia, como os Manoki, Nambikwara, Myky e Rikbatsa, que têm representantes no Festival.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

O evento tem objetivo de debater a atuação da população indígena e a participação popular nas tomadas de decisão sobre o futuro dos rios Juruena, Tapajós e Teles Pires.

Os convidados vêm de diversas regiões da Amazônia Legal. Estão presentes, por exemplo, moradores de Altamira, cidade impactada pela construção do complexo hidrelétrico de Belo Monte. A ideia é que possam compartilhar experiências de resistência aos megaprojetos.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

Além dos paineis temáticos e debates, o III Festival Juruena Vivo trará uma série de manifestações e apresentações culturais. A programação conta com apresentação de bandas e grupos da região e do Centro-Oeste.

O violeiro Victor Batista mora em Pirenópolis (GO) e é uma das atrações do evento. Seu trabalho mais recente está no disco “Manchete do Tico-Tico”, em que canta as belezas e a importância de preservação da diversidade do Cerrado.

“A música tem a função de levar uma mensagem. Desde as senzalas, os escravos cantavam seus lamentos e faziam a crítica pela poesia. É o que vai acontecer aqui no Festival: interação, troca e informação sobre o Juruena”, disse Victor à Vaidapé.

Foto: João Miranda

Foto: João Miranda

Fonte: Revista VaiDaPé

Nos rios de Mato Grosso: Política Energética e Energia Solar

Por que em um país como o Brasil, que tem sol durante todo o ano, a energia solar não tem espaço na matriz energética? Por que não aproveitamos essa fonte inesgotável e gratuita de energia? Em Mato Grosso, por exemplo, existe apenas uma usina de energia solar. Em nosso ultimo programa, discutiremos a importância da energia solar como fonte de energia realmente renovável e os motivos da ausência de investimento nesta fonte.

Os programas foram produzidos pela jornalista Juliana Arini e serão disponibilizados gratuitamente aqui em nosso blog. Nossa intenção é que os programas ajudem as pessoas da região a refletirem e discutirem sobre estes importantes temas.

Os programas podem ser replicados livremente. Se você e/ou sua comunidade tiver interesse em receber todos os programas, entre em contato conosco no redejuruenavivo@gmail.com.

Para fazer download do Programa Nos Rios de Mato Grosso 13Política Energética e Energia Solar

Nos rios de Mato Grosso: Biomassa como fonte de energia

Em nosso penúltimo programa, iremos falar sobre alternativas de geração de energia, com foco na biomassa. O Brasil já tem capacidade de geração por biomassa equivalente a três usina hidrelétricas de Belo Monte que, infelizmente, não é aproveitadas. O potencial de geração em Mato Grosso é grande, mas faltam estudos e investimentos na área.

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Nos rios de Mato Grosso: Matriz energética brasileira

O Brasil se orgulha de ter uma matriz energética baseada majoritariamente em produção hidrelétrica, alegando que esta é uma fonte de energia renovável. Mas será que as hidrelétricas podem ser consideradas “energia limpa”? 

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Nos rios de Mato Grosso: Para onde vai a energia produzida em Mato Grosso?

Você sabia que Mato Grosso é um dos grandes exportadores de energia do país? O estado consome somente 50% da energia que é gerada aqui, o restante é distribuído para o mercado nacional, concentrado nas regiões Sul e Sudeste. Se geramos mais energia do que consumimos, porque os mato-grossenses pagam tão caro pela energia? Se geramos tanta energia, precisamos de mais hidrelétricas aqui? Neste programa, discutiremos essas e outras questões sobre a energia produzida em Mato Grosso.

Os programas foram produzidos pela jornalista Juliana Arini e serão disponibilizados gratuitamente aqui em nosso blog. Nossa intenção é que os programas ajudem as pessoas da região a refletirem e discutirem sobre estes importantes temas.

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Para fazer download do Programa Nos Rios de Mato Grosso 10 – Para onde vai a anergia gerada em Mato Grosso?

Nos rios de Mato Grosso: Impactos sobre os peixes

Pescadores e povos indígenas que vivem às margens do rio Teles Pires, em Mato Grosso, contam que com a construção das hidrelétricas houve grande mortandade de peixes, base de alimentação e sustento das famílias, e que algumas espécies desapareceram por completo. A qualidade da água após a construção da barragem também é questionada pelas comunidades. Neste programa, iremos discutir esses impactos, que afetam diretamente o meio ambiente e a vida dessas populações.

Os programas foram produzidos pela jornalista Juliana Arini e serão disponibilizados gratuitamente aqui em nosso blog. Nossa intenção é que os programas ajudem as pessoas da região a refletirem e discutirem sobre estes importantes temas.

Os programas podem ser replicados livremente. Se você e/ou sua comunidade tiver interesse em receber todos os programas, entre em contato conosco no redejuruenavivo@gmail.com.

Para fazer download do Programa “Nos Rios de Mato Grosso” 9– Impactos sobre os peixes