Juruena em Foco: confira a primeira edição do jornal da Rede Juruena Vivo

O Juruena em Foco nasceu no V Festival Juruena Vivo, que ocorreu de 1 a 4 de novembro de 2018 em Juína, MT. A produção foi elaborada por comunicadores da Rede Juruena Vivo, que participam de formações de comunicação promovidas pelo Projeto Berço das Águas, com patrocínio da Petrobras Socioambiental.

O jornal, com uma tiragem de 1500 exemplares, será distribuído na bacia do Juruena. Outras três edições serão realizadas nas próximas oficinas, com foco no jornalismo comunitário, que acontecem em março de 2019. 

Para fazer download do arquivo, clique no link:

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Confira as fotos da expedição Rikbaktsa

Os indígenas constantemente percorrem seus territórios, com o objetivo de coletar frutas, recursos para o artesanato, pescar, caçar e, em muitos casos, verificar se há invasões em suas terras. Madeireiros, caçadores, pescadores costumam entrar nestes territórios para explorá-los.

As fotos a seguir são da expedição dos Rikbaktsa pela terra indígena Japuíra, no noroeste de Mato Grosso. A atividade ocorreu entre os dias 12 e 14 de dezembro de 2018 e buscou levantar informações do território, a serem inseridas no Plano de Gestão Ambiental e Territorial das terras Erikpatsa e Japuíra, atualmente em fase de elaboração.

 

Texto e fotos: Lívia Alcântara/OPAN

A expedição partiu da Aldeia Pé de Mutum, com o objetivo de percorrer dois rios: Juruena e Arinos. Ambos banham uma das três Terras Indígenas do povo Rikbaktsa: a Japuíra.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Ao todo foram seis voadeiras (barcos), com quatro pessoas em cada um deles. Uma expedição semelhante já ocorreu na T.I Erikpatsa.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Abaixo Chico (Francisco Pykzy Rikbakta), um dos barqueiros experientes. Em muitos pontos é necessário usar o remo devido a pouca profundidade dos rios.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

 

O ritmo da viagem é lento e divertido. Para-se para comer, contar histórias e marcar pontos no GPS, como locais de caça, pesca, acessos a castanhais, buritizais e patuazais.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Costuma-se levar para as “viagens” peixe moqueado e farofa de carne.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

É necessário garantir o combustível para as voadeiras para todos os dias de viagem.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Se a cem anos atrás o território indígena era livre para eles irem e virem sem restrições, hoje ele está cercado por fazendas e cidades.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Na margem contrária a T.I. Japuíra, encontramos vestígios de um acampamento.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Os restos de roupas, barracas e lixos, segundo os Rikbaktsa, provavelmente pertencem a pescadores.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Em um dos portos da margem do rio Juruena, acessada por não indígenas, o solo estava marcado por trilhas de motocross.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Em alguns casos, as interferências são menos invisíveis, mas de maior impacto, como é o caso do uso de agrotóxicos nas lavouras do entorno das terras indígenas. A sub-bacia do Juruena recebe muitos litros de agrotóxicos das lavouras de algodão e soja.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

As paradas também servem para contar histórias da região. Alguns córregos dão acesso a antigas malocas (casas) e castanhais. Também passamos pela Ilha da Conquista, lugar onde ficaram acampados os Rikbaktsa na retomada da Japuíra, em 1985.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Os Rikbaktsa conhecem cada palmo das suas terras. Apontam as ilhas ideais para coletar patuá, buriti, ponto de pesca de trairão e de tracajá. Visitamos também as ilhas das minhocas para a pesca.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Abaixo, Joel mostra o tamanho gigante das minhocas.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Crianças pescam desde bem pequenas. E essa é uma atividade que as mulheres também adoram.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Em uma das aldeias que passamos vê-se uma casa de secagem de castanha-do-Brasil, um dos principais produtos coletados pelos Rikbaktsa e responsável pela geração de renda para este povo, sem causar danos ambientais à floresta. 

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Os Rikbaktsa fazem parte do Projeto Pacto das Águas, que trabalha junto a coletores de castanha aprimorando as boas práticas de tratamento do produto.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Por conta do período chuvoso, o acampamento foi montado na Aldeia Castanhal, desde onde saímos para percorrer o território e retornávamos para dormir.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

A alimentação dos Rikbaktsa é extremamente variada. Ela provém da pesca, caça, coleta e das roças. A caça é uma atividade masculina e realizada junto com um amigo. Exige aprender “escutar”, “enxergar” a floresta” e “falar com os animais”. Os Rikbaktsa são capazes de imitar diferentes animais e assistir essa interação é presenciar um verdadeiro diálogo.

Come-se quase todos animais, exceto o jacaré, o tamanduá-bandeira, uma ave chamada “ciganinha”, cobras, onças e os macacos da noite (de pelo branco).**

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Come-se também frutas (patuá, banana, buriti, dentre outras) e chica, uma espécie de batida de frutas adoçada. As roças dão mandioca, milho fofo e várias frutas.

A pesca é farta, embora tenha diminuído nos últimos anos. Na foto abaixo o peixe é moqueado, ou seja, assado com a fumaça da lenha. Com essa técnica, o peixe cozinha por dentro e sua pele e escamas ficam  mais duras, protegendo e ajudando a conservar o alimento.

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Os rios servem para banho, lavar roupa e vasilhas. As terras Rikbaktsa estão cercadas por rios.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Abaixo os participantes desta segunda expedição, que facilita a execução do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Rikbaktsa.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

 

Hora de arrumar as bagagens e retornar para suas casas.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Abaixo Tarcísio e Pudai.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

Outras quatro expedições ocorrerão com apoio do projeto Berço das Águas e pretendem explorar outros territórios Rikbaktsa.

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Foto: Lívia Alcântara/OPAN

*Obrigada a Pablo Albarenga pela edição das imagens.

** Para detalhes da alimentação Rikbaktsa ver o livro Os Rikbaktsa do Rio Juruena, de Rinaldo Arruda.

As barragens do Juruena: energia insustentável

Este vídeo é um recado da Rede Juruena Vivo para a Conferência do Clima (COP 24), que aconteceu em 2018. A Rede foi representada por Marta Tipuici, da etnia Manoki e por Juarez Paimy, da etnia Rikbaktsa.

Créditos: Juruena Dams: Unsustanable Energy

Direção e Roteiro: Sérgio Lobato

Edição: Sérgio Lobato

Sound Designer: Sandro Machintal

Músicas: Guilherme Barros

Produção Executiva: Lívia Alcântara, Andreia Fanzeres, Bruno Villela, Juliana Almeida

Imagens: Sérgio Lobato, Tood Southgated, Adriano Gambarini, Pablo Albarenga, Pedro Rodrigues

Produção: Cambará Filmes

Co-Produção: Amazon Pictures

Disponível online livro: Mudança climática e a percepção indígena

Em 2018 foi reeditado o livro Mudança climática e a percepção indígena que ganhou três novos textos. Sabiamente elaborado pelos indígenas, os textos deste livro nos permitem perceber como povos e territórios estão sendo afetados pelas mudanças climáticas. Esse tema, na atualidade, perpassa os distintos grupos humanos, seus espaços geográficos e contextos geopolíticos. A seriedade desta pauta para os indígenas pode ser melhor compreendida ao notar em suas falas que as consequências das mudanças estão sendo sentidas no dia-a-dia das comunidades e nas terras que resguardam um rico patrimônio natural. A maioria dos autores, mesmo vivendo em distintas regiões do estado de Mato Grosso, apontam problemas similares no que tange às mudanças climáticas. Eles estão pagando uma conta que não é deles, mas dos que adotam uma lógica de uso do ambiente diferente daquela realizada pelos indígenas.

A obra foi organizada pela Operação Amazônia Nativa, projeto Berço das Águas e possui patrocínio da Petrobras Socioambiental.

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2a ed_mudancas climaticas_PORT_web

2a ed_mudancas climaticas_ENG_web