Juruena contaminado

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Rio Buriti, na TI Tirecatinga – Foto: Guilherme Ruffing/OPAN

Rio Buriti, na TI Tirecatinga. Foto: Guilherme Ruffing/OPAN

Por: Dafne Spolti/OPAN*

Cuiabá-MT – Enquanto imponentes imagens das plantações de soja e algodão de Mato Grosso viajam mundo afora em catálogos e revistas, a sub-bacia do rio Juruena, que abriga algumas das maiores e mais lucrativas propriedades exportadoras de grãos do Brasil, fica encoberta. Não se conhece sua beleza, que é difícil conter em palavras, nem os povos que utilizam seus rios para beber água, tirar o peixe e viver intensamente sua cultura. Por isso mesmo, pouco se fala sobre como o carro-chefe da economia do país é nocivo não só para um dos locais mais exuberantes do Cerrado, as nascentes da bacia do Tapajós, mas para a saúde de quem vive ali.

“Com 17, 18 anos eu vi o rio Juruena bonito. Hoje você vê só água. Não tem mais nada. E onde nós vamos achar peixe? O peixe está contaminado. A ema anda onde passam veneno. A gente mata e come. Achamos veneno de formiga na beira do rio. Soja cresce na barriga do pacu. Estoura o bucho dele e ele morre. Por isso o peixe está acabando”, disse André Celino Nambikwara às margens do rio Buriti, no município de Sapezal. Veja mais em: http://amazonianativa.org.br/Noticias/Juruena-contaminado,2,441.html

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Segundo depoimento do Projeto Vozes dos Atingidos – Fórum Teles Pires

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Iandra Waro Munduruku. Crédito da foto: Sucena Shkrada Resk/FTP-ICV

Por Sucena Shkrada Resk/FTP – ICV

O Projeto #VozesdosAtingidos do #FórumTelesPires – FTP apresenta, nesta semana, o depoimento de Iandra Munduruku, que fala sobre os impactos socioambientais que observa no dia a dia em sua aldeia, às margens do rio Teles Pires, PA.
https://youtu.be/buO_D1Zh_QM

Veja também o depoimento de Judite Kayabi: https://youtu.be/5TCJUz_JkTQ

Esta iniciativa tem apoio do ICV.

Projeto Vozes dos Atingidos – Fórum Teles Pires

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Judite Kayabi, da Aldeia Kururuzinho. Crédito da foto: Sucena Shkrada Resk/FTP-ICV

Por Sucena Shkrada Resk – originalmente publicado no site do ICV

O Projeto audiovisual #Vozesdosatingidos do Fórum Teles Pires (FTP), de Mato Grosso, é lançado, nesta semana, com a entrevista da indígena Judite Kayabi, da Aldeia Kururuzinho, que fica de um lado do braço do rio, no Pará. A indígena falou, em fevereiro deste ano, sobre os impactos socioambientais que está vivenciando com seus familiares e comunidade, após o início de funcionamento de usina hidrelétrica, em MT. A narrativa traz as preocupações da indígena principalmente quanto à manutenção da qualidade das águas do rio, segurança alimentar e à preservação cultural de seu povo, no contexto da instalação dos grandes empreendimentos de infraestrutura.

O #VozesdosAtingidos tem o objetivo de promover um espaço de comunicação no qual (indígenas, agricultores familiares e outros) atingidos pelo processo de instalação e funcionamento de empreendimentos hidrelétricos (de infraestrutura) no rio Teles Pires, que fica na Bacia do Tapajós, possam se expressar e expor suas reivindicações e situação atual. Por muitas vezes, essas vozes têm dificuldade de ecoar suas manifestações. Esta iniciativa apresenta o recorte de justiça socioambiental, dos direitos indígenas e humanos. A proposta é que haja uma entrevista a cada semana até o mês de maio, nesta primeira etapa do projeto para colocar esta temática para reflexão sobre o modelo de gestão da matriz elétrica/energética e do respeito aos direitos dos povos indígenas e tradicionais. A iniciativa tem o apoio do Instituto Centro de Vida (ICV), que integra o FTP.

Confira o depoimento em: https://youtu.be/5TCJUz_JkTQ

Veja também:
Depoimento de Romildo Apiaká

Aliança Teles Pires

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Por Allan Gomes e Caio Motta – FTP

O Fórum Teles Pires (FTP) realizou, em fevereiro de 2017, sua primeira ‘Caravana’ com uma série de ações integradas nas aldeias das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká.

As atividades foram realizadas a convite dos indígenas e construídas conjuntamente com as comunidades.

O objetivo destas ações são de fortalecer os grupos afetados pelas construções de Usinas Hidrelétricas e outros grandes empreendimentos no rio Teles Pires.

Conheça mais sobre estas ações aqui: https://goo.gl/a1OwQ9
Assista o vídeo no nosso canal do youtube e inscreva-se: https://goo.gl/rBKIE9

Fortaleça essa aliança!

Hidrelétricas avançam sobre terra e vidas Munduruku

Originalmente no site TheIntercept

16 de Janeiro de 2017, 11h05

Autoria: jornalista Sue Branford e cientista social Mauricio Torres

Da série Tapajós sob ataque

“É UM TEMPO de morte. Os Munduruku vão começar a morrer. Vão começar a se acidentar e até acidente simples vai matar o Munduruku. Vai cair raio e matar o índio. O índio vai tá trabalhando na roça e um pau vai cair em cima do índio e não é à toa que o pau vai cair em cima dele. Ponta de pau afiado vai furar o índio que estiver caçando. E é impacto porque o governo mexeu no lugar sagrado”.
Krixi Biwün (ou Valmira Krixi Munduruku, como consta em seu batismo cristão) é uma guerreira e importante matriarca da aldeia Teles Pires, localizada à margem direita do rio de mesmo nome na divisa entre Pará e Mato Grosso (ver mapa). A sabedoria sobre antigas histórias de seu povo fazem de Biwün uma grande liderança da aldeia. Seu conhecimento tradicional ensina desde como se deve banhar uma menina com ervas para que se torne uma brava guerreira até as histórias da cosmologia de seu povo.
O local sagrado a que se refere a matriarca Munduruku era um trecho encachoeirado do rio Teles Pires conhecido como Sete Quedas ou Paribixexe em Munduruku. Em 2013, o consórcio responsável pela construção da usina hidrelétrica de Teles Pires — composto pelas empresas Odebrecht, Voith, Alston, PCE e Intertechne — obteve autorização judicial para iniciar a obra e acabou com as corredeiras. Ao explodir as pedras e abrir o leito do rio, o empreendimento destruiu também o que, na cosmologia dos povos indígenas da região, seria o equivalente ao “céu” ou “paraíso” na cultura cristã.
“A gente tinha esse lugar sagrado e quando morria ia pra lá. Mas como o governo agora tá dinamitando tudo, mesmo indo pra ser espírito, a gente vai acabar. A gente vai morrer no espírito também”, acrescenta a matriarca.

Veja a íntegra em: https://theintercept.com/2017/01/16/hidreletricas-avancam-sobre-terras-e-vidas-munduruku/

Cartilha Conselho Municipal – o papel da sociedade nesta construção é lançado em MT

Texto original no site do ICV

capapdfnositeA mais recente publicação do Instituto Centro de Vida (ICV) é a cartilha Conselhos Municipais: o papel da sociedade nesta construção (Meio ambiente e desenvolvimento rural sustentável) que, em 30 páginas, num formato pequeno e de fácil de leitura, trata da importância da participação e do controle social à promoção dos direitos dos cidadãos e à efetivação de uma gestão pública democrática. A obra é fruto de nossa experiência de chão de assessoramento a conselhos municipais do norte e noroeste do estado de Mato Grosso.

Em cinco capítulos, você obtém informações sobre quais são as características dos conselhos municipais participativos, como se dá na prática a participação social e como são as estruturas dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDMRS) e dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente (CMMA).

Os desafios para implementação também fazem parte do conteúdo, para gerar reflexão sobre como superar esses problemas ao longo do processo. A cartilha ainda oferece dicas de links úteis sobre este tema e bibliografia para que possa aprofundar a pesquisa. O objetivo é promover o estímulo ao exercício de cidadania, que estes espaços propiciam à nossa sociedade.

Boa leitura!

Resistência Munduruku – As Vozes da Bacia do Tapajós

Originalmente no youtube do ICV – A coletânea de entrevistas “O povo Munduruku, na Bacia do Tapajós”, revela um esforço de resistência e de luta em defesa dos direitos dos povos indígenas e ribeirinhos para a conservação dos rios e seus afluentes, como de seus modos de vida e subsistência. Criaram o protocolo de consulta prévia Munduruku para que o governo estabeleça a escuta, um direito legal que têm, no processo de planejamento de empreendimentos hidrelétricos, entre outros. Ocupam os espaços democráticos e se manifestam.
 
Neste vídeo, as entrevistas de Alessandra Munduruku, guerreira do Médio Tapajós e de Cândido Munduruku, liderança da região do Teles Pires e Marcelo Munduruku, da região do Juruena expressam os objetivos e argumentos dessa luta que envolve outras etnias, ribeirinhos e pescadores.
 
Fotos, Roteiro, reportagem e edição: Sucena Shkrada Resk
(Núcleo de Comunicação do Instituto Centro de Vida – ICV)
 
Localidades das entrevistas: Juara – MT (durante Festival Juruena Vivo 2016) e Brasília – DF (durante Seminário Hidrelétricas na Amazônia: conflitos socioambientais e caminhos alternativos 2016).