Incentivos à energia fotovoltaica começam de maneira tímida em Mato Grosso

Por Sucena Shkrada Resk/ICV

Engenheira Sandra realizou instalação de energia fotovoltaica em sua residência em área rural. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

Engenheira Sandra realizou instalação de energia fotovoltaica em sua residência em área rural. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

Hoje ninguém tem dúvida de que a ampliação de acesso a energias limpas, como a fotovoltaica, é necessária à matriz elétrica brasileira. Os caminhos a serem percorridos pelo consumidor, entretanto, ainda são compostos por inúmeros desafios. O custo para implementação dos sistemas residencial ligado à rede de energia elétrica e do autônomo, que não está conectado, ainda é um dos aspectos mais importantes a superar. Adquirir as placas, inversores solares e baterias e fazer a instalação custa caro e exige mais subsídios ou incentivos econômicos por parte do Governo, segundo especialistas. E um dos itens que mais pesa no bolso do consumidor ainda é a bateria, que é o coração do sistema, que armazena a energia. Uma das mobilizações nacionais que defende políticas mais inclusivas, neste sentido, para os microgeradores é a Campanha Energia para a Vida.

Os avanços são lentos, mas já começam a apontar sinais em alguns estados, como o Mato Grosso, onde desde janeiro deste ano, está em vigor legislação que isenta de pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o consumidor que possui um sistema fotovoltaico instalado em sua residência ou empreendimento. São os projetos de micro e minigeração distribuída ou autogeração de pequenas quantidades produzidas por residências, comércios e indústrias. O benefício atinge fontes eólicas e hidráulicas também. Este consumidor tem condições de fornecer o excedente à concessionária de energia e ficará com crédito junto à empresa para futuras compensações mensais.

A medida começa a construir um novo cenário no estado, mas, que ainda não resolve o custo da implementação da fonte solar. Alguns bancos do sistema financeiro nacional também estão com linhas de financiamento a quem optar por este tipo de energia.  Este incentivo à energia limpa é previsto na resolução número 482/12, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

João Andrade, coordenador do Núcleo de Redes Socioambientais do ICV, que apoia a Campanha Energia para a Vida, por meio do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), reforça a importância dos incentivos para estes modelos de geração de energia. “Quando o cidadão joga energia dentro do sistema e depois mais tarde precisa dela, ela retorna com a cobrança de impostos. A retirada dessa cobrança passará a estimular adesões em massa, e também é algo que atende o senso de justiça. Afinal cobrar algo de que você mesmo gerou não está correto”, avalia. Com relação à geração autônoma, o principal incentivo, segundo ele, deveria estar concentrado nas baterias. “O Governo Federal poderia dar apoio ao desenvolvimento desta tecnologia, como reduzir impostos na aquisição de baterias por parte de comunidades rurais isoladas. Em Mato Grosso, muitas comunidades rurais e bairros do subúrbio sofrem com queda de energia, e se beneficiariam desse sistema”, diz.

Opção por energia solar é adotada por moradora de Chapada dos Guimarães. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

Opção por energia solar é adotada por moradora de Chapada dos Guimarães. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

Apesar de os sistemas fotovoltaicos já serem utilizados há mais de 30 anos em diferentes partes do mundo, aqui no Brasil, o investimento é mais recente. Em uma residência, a potência instalada pode variar entre 1Kwp e 10Kwp e o investimento inicial gira entorno de R$ 15 mil, para um imóvel pequeno, com duas pessoas, com sistema de 1,5 kwp, de acordo com o Portal Solar.

Sandra Souza Silva, engenheira de abastecimento – tecnologias de edifícios e gerente da Sonnenbauhaus – Escritório de Engenharia e Comércio Solar, fez o exercício de consumidora deste modelo de energia, em sua própria residência, na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, e conta esta experiência, que segundo ela, traz um benefício socioambiental, ao não se utilizar energia fóssil ou de fontes hidrelétricas, que causam também impactos. Ela instalou um sistema autônomo fotovoltaico de 2,5 kwp, há três anos, onde vivem cinco pessoas.  “Aqui, nós utilizamos uma geladeira, um laptop, dois PCs, nove lâmpadas LED, uma máquina de lavar roupa e diariamente uma máquina de marcenaria”, explica. O investimento feito neste sistema, segundo ela, foi de R$ 65 mil. “Adquirimos nove placas, um inversor de corrente contínua para alternada, controlador de carga para encher quatro baterias de origem americana, que tem vida útil de até 25 anos, diferente das nacionais estacionária de chumbo, que geralmente duram na faixa de dois anos e são mais baratas”. A capacidade de armazenamento varia de três a seis dias. “Como estamos em área com cobertura vegetal, temos menos incidência direta solar e eventualmente podem ocorrer acidentes com árvores ou que aves possam comer o isolamento. Estimo que em 20 anos recuperaremos o investimento”, diz.

A segunda experiência vivenciada pela engenheira é de adquirir o sistema fotovoltaico residencial de acesso à rede. “Neste modelo, é necessário apresentar à concessionária de energia, plantas e diagramas da casa, e ter um responsável técnico de engenharia. O processo é mais burocrático”, explica. Neste caso, a família investiu em duas placas fotovoltaicas, em inversor e limitou a necessidade para a utilização do chuveiro elétrico, que gasta entre 6,5 e 11,5kWp/h. O investimento foi de R$ 7 mil. “Pagamos cerca de R$ 40,00 por mês”. A energia excedente segue para a concessionária de energia Energisa.

O relato de Sandra demonstra que ainda é necessário haver mais iniciativas que reduzam o custo de implementação e é preciso um tempo para se avaliar os impactos da isenção de ICMS em Mato Grosso e das linhas de financiamento no setor.

Saiba mais sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Centro de Vida (ICV) clicando AQUI.

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Novidades no Concurso Fotográfico “Meu Olhar sobre o Juruena e seus Afluentes”

Com informações de Sucena Shkrada Resk/ICV

As inscrições do Concurso Fotográfico “Meu Olhar sobre o Juruena e seus Afluentes” foram prorrogadas até o dia 29 de fevereiro e as regras de participação foram facilitadas para atrair mais interessados. A iniciativa é da Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade em parceria com a Secretaria Municipal de Cotriguaçu, Mato Grosso, Amazônia.

IMG Campanha Cotriguaçu

Regras:

Cada autor pode inscrever até cinco fotos. Mostre a sua sensibilidade para retratar o maior rio da região ou, então, os pequenos córregos, riachos e quedas d’água de Cotriguaçu que formam a bacia hidrográfica. As fotos podem destacar tanto as belezas ou os alertas para conservação. A idade mínima para participar é 9 anos.

As inscrições devem ser feitas na Secretaria Municipal de Educação, na avenida Henrique Xavier Rodovalho, 206, Cotriguaçu, até 29 de fevereiro, entre 7h e 13h.  Leve as fotos em pen drive ou no arquivo do celular com o respectivo cabo, para que possam ser descarregadas. Se você for menor de 18 anos, a ficha de inscrição deverá ser assinada pelo responsável.

Os estudantes de Cotriguaçu podem fazer as inscrições nas escolas. Os três primeiros colocados na categoria infanto-juvenil (dos nove aos 17 anos) e na categoria adulto (a partir dos 18 anos) receberão como prêmio, certificados, fotos ampliadas e farão visitas à fazenda São Nicolau Mecenato da ONF-Brasil e da Peugeot, e a um sítio no município que tem práticas agroecológicas.

Cotriguaçu lança campanha pela sustentabilidade do município

Por Sucena Shkrada Resk/ICV

Publicado em 10 de novembro de 2015 pelo Instituto Centro de Vida (ICV)

A Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade será lançada no próximo dia 20 de novembro, das 18h às 21h, no salão paroquial de Cotriguaçu, no noroeste mato-grossense. A iniciativa está sendo amadurecida desde o mês de agosto, por um grupo da sociedade civil, com o objetivo de elaborar propostas de ações contínuas para construir a identidade de Cotriguaçu como município sustentável, com gestão participativa. São representantes de diversos segmentos, entre eles, da agricultura familiar, educação, do meio ambiente, do terceiro setor e do comércio.

A ideia é disseminar as ações e resultados positivos de práticas sustentáveis já existentes no município; sensibilizar a população sobre a importância do uso racional dos recursos naturais; desenvolver uma mobilização contínua da sociedade para participar do processo e implementar compromissos setoriais firmados na Carta Cotriguaçu Sempre Verde. No documento, são tratados temas com relação à formação de capital social e humano, pecuária, turismo, agricultura familiar, serviços básicos, regularização fundiária, áreas verdes urbanas, áreas protegidas, água e redução do desmatamento e degradação florestal.

A campanha propõe, ainda, um alinhamento com as metas previstas no Programa Mato-Grossense de Municípios Sustentáveis, do qual a cidade faz parte.

No próximo dia 20, serão esclarecidos estes objetivos e apresentadas algumas das propostas de ações para a comunidade local. Um dos resultados esperados é a formação de um fórum permanente, como espaço de discussão democrático e de consolidação de ações, envolvendo a comunidade, o terceiro setor e os três poderes públicos (executivo, legislativo e judiciário).

Ao mesmo tempo, será realizada uma programação cultural diversificada, com encenação teatral com temática socioambiental, feira de produtos da agricultura familiar e lançamento do concurso de fotografia “Meu Juruena e seus afluentes”, aberto à sociedade local, como incentivo à conservação dos recursos hídricos. No saguão estará sendo exposta a mostra fotográfica “As diferentes faces do Juruena”, de Thiago Foresti, sobre o principal rio da região, realizada pela Forest Comunicação.

A campanha tem a colaboração do Instituto Centro de Vida (ICV), por meio do Projeto Cotriguaçu Sempre Verde – Fase 2, que busca consolidar uma nova trajetória de desenvolvimento municipal, pautada na construção de soluções sustentáveis de produção e governança socioambiental. O projeto iniciado em 2011 tem o apoio do Fundo Vale. Também está sendo apoiada pela Prefeitura Municipal de Cotriguaçu, pela ONF-Brasil, pela Distribuidora de Bebidas Cotriguaçu e por pessoas físicas que estão contribuindo individualmente com o movimento.

SERVIÇOS:

Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade
Data: 20/11/2015
Período: 18h às 21h
Local: Salão Paroquial de Cotriguaçu (avenida 20 de Dezembro, 124), Cotriguaçu, Mato Grosso.
Entrada gratuita

Mais informações e solicitação de entrevista: cotricaminhosustentabilidade@gmail.com