Novidades no Concurso Fotográfico “Meu Olhar sobre o Juruena e seus Afluentes”

Com informações de Sucena Shkrada Resk/ICV

As inscrições do Concurso Fotográfico “Meu Olhar sobre o Juruena e seus Afluentes” foram prorrogadas até o dia 29 de fevereiro e as regras de participação foram facilitadas para atrair mais interessados. A iniciativa é da Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade em parceria com a Secretaria Municipal de Cotriguaçu, Mato Grosso, Amazônia.

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Regras:

Cada autor pode inscrever até cinco fotos. Mostre a sua sensibilidade para retratar o maior rio da região ou, então, os pequenos córregos, riachos e quedas d’água de Cotriguaçu que formam a bacia hidrográfica. As fotos podem destacar tanto as belezas ou os alertas para conservação. A idade mínima para participar é 9 anos.

As inscrições devem ser feitas na Secretaria Municipal de Educação, na avenida Henrique Xavier Rodovalho, 206, Cotriguaçu, até 29 de fevereiro, entre 7h e 13h.  Leve as fotos em pen drive ou no arquivo do celular com o respectivo cabo, para que possam ser descarregadas. Se você for menor de 18 anos, a ficha de inscrição deverá ser assinada pelo responsável.

Os estudantes de Cotriguaçu podem fazer as inscrições nas escolas. Os três primeiros colocados na categoria infanto-juvenil (dos nove aos 17 anos) e na categoria adulto (a partir dos 18 anos) receberão como prêmio, certificados, fotos ampliadas e farão visitas à fazenda São Nicolau Mecenato da ONF-Brasil e da Peugeot, e a um sítio no município que tem práticas agroecológicas.

Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade lança concurso fotográfico

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Por Sucena Shkrada Resk/ICV

Após três meses de diálogo, a Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade foi lançada no dia 20 de novembro, em evento realizado no Salão Paroquial, no município. Durante a programação, realizada entre às 18h e 21h, circularam pelo pavilhão mais de 400 pessoas, entre jovens e adultos. O objetivo é que a partir de março do ano que vem, seja estabelecido um mecanismo de diálogo contínuo entre sociedade civil e poder público, por meio de um fórum, que promova ações voltadas à sustentabilidade local e melhoria da qualidade de vida no município, unindo o equilíbrio dos eixos social, econômico e ambiental.

Ao mesmo tempo, a Campanha lançou em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o Concurso Fotográfico “Meu Olhar sobre o Juruena e seus afluentes”, cujas inscrições já podem ser feitas na sede da secretaria (veja as regras neste link).

Segundo Carolina Jordão, analista de gestão ambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), a meta principal da iniciativa é valorizar e multiplicar ações e resultados positivos de práticas sustentáveis já existentes no município. Ao mesmo tempo, promover ações contínuas que sensibilizem a população sobre a importância do uso racional dos recursos naturais.

“A campanha é uma forma de empoderar a sociedade civil para que exerça diretamente a sua cidadania, pautando o poder público e construindo soluções de médio e longo prazos para o desenvolvimento sustentável do município, em que a população tenha sua geração de renda, ao mesmo tempo em que sejam mantidas as áreas de floresta que trazem múltiplos benefícios para a sociedade”, disse.

Dois documentos que norteiam a Campanha são a  Carta Cotriguaçu Sempre Verde e  o  Programa Mato-Grossense de Municípios Sustentáveis, do qual a cidade faz parte, tendo como objetivo também sair da lista do Ministério do Meio Ambiente como um dos municípios que historicamente mais desmatam na Amazônia.

Mais de 400 pessoas estiveram presentes no lançamento da Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade e da Mostra Cultural. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

Denise Schutz Freitas, secretária-executiva do Conselho Municipal de Meio Ambiente – CMMA, de Cotriguaçu, apresentou um exemplo positivo em  que a sociedade já exerce um papel coparticipativo na execução do projeto Semeando Novos Rumos em Cotriguaçu, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio e monitoramento do CMMA, financiado pelo BNDES/Fundo Amazônia.

Para Veridiana Vieira, agricultora familiar e extrativista, presidente da Associação de Coletores (as) de Castanha do Brasil do PA Juruena, a campanha dá voz a homens e mulheres do campo. “Um exemplo é possibilitar que mostremos o processo do projeto que estamos discutindo no Conselho da proposta da Lei de Extrativismo, que propõe facilitar o nosso trabalho de forma sustentável”, explicou.

A importância da campanha em incentivar a agricultura familiar e a produção local, através da divulgação da Agroecologia e de suas práticas socioprodutivas, em harmonia com a conservação florestal foi destacada pela agricultora familiar e presidente da Associação dos Produtores Feirantes de Cotriguaçu (Aprofeco), Helena de Jesus Moreira.

O evento teve uma programação diversificada. Segundo o comitê organizador, a proposta foi trazer para o evento um conjunto de iniciativas práticas de educação ambiental nas escolas e comercialização de alimentos e artesanatos com produtos locais, como a castanha, cacau e babaçu, como forma de incentivo à população a valorizar o município e se engajar ao movimento.

Na programação, se destacou a Mostra Cultural de cinco escolas públicas do município (EE Benício Trettel da Silva; EE Maria da Glória Vargas Ochôa; EM Paulo Freire; EM Santa Maria; Centro Educacional Municipal Pequeno Cidadão), com trabalhos de reciclagem, sobre os biomas do Mato Grosso, conservação de recursos hídricos e de mostras de 30 plantas utilizadas pelas comunidades indígenas e afro e suas propriedades, e culinária mato-grossense, entre outros temas.  Alunos da EM 7 de Setembro, de Agrovila, foram ao palco apresentar a peça socioambiental “Deu a louca na Chapeuzinho” e estudantes da Benício Trettel , um pequeno musical sobre a atenção ao abandono na infância.

“Ao unir a mostra à campanha pudemos atrair jovens e adultos para conhecer essas ações de educação ambiental que já estão sendo desenvolvidas nas unidades de ensino. E na Sala do Educador (momento de capacitação dos professores) esse foi o tema deste ano”, explicou Laudinei Doerner, secretário municipal de Educação.

Agricultores familiares comercializaram seus produtos (castanha, mel, doces, polpa de frutas amazônicas, artesanatos…), e representantes do povo indígena Rikbaktsa da Terra Indígena Escondido venderam peças de seu artesanato (colares, pulseiras, anéis e prendedores de cabelo) com penas e sementes e fibras locais. “Foi bom podermos mostrar nosso trabalho aqui e com a campanha poderemos acompanhar e saber mais sobre o processo das políticas públicas na cidade”, disse o cacique Roseno Zokoba Rikbaktsa.

No centro do salão, o público pôde também conferir a mostra fotográfica “Juruena Eterno”, com seis fotos de Thiago Foresti, produzida pela Forest Comunicação, com apoio da Campanha, que traziam uma leitura sobre o principal rio da região, com sua gente, biodiversidade e ecossistema rico, que já começa a sofrer interferências em seu curso, com projetos de hidrelétricas. “Nossa família sempre vai pescar e passar tardes nas ilhas do Juruena. Ver estas imagens me remeteu à preocupação de se preservar este rio”, comentou Zenaide Cândido de Oliveira, que estava acompanhada por seus familiares.

A moradora Francisca Luiza da Silva Barros declamou duas poesias que fez em homenagem ao Juruena, que se transformaram também em marcadores de livros, como um estímulo à valorização da conservação das águas. “A Campanha possibilita que juntemos diferentes segmentos em um mesmo objetivo”, complementou.

Um “bazar do desapego” foi também promovido no salão, por integrantes do Instituto Centro de Vida (ICV) comercializando a valores baixos itens doados de vestuário a livros usados em boas condições. A proposta desse espaço foi de incentivar o consumo consciente e evitar o desperdício.

Os resíduos recicláveis gerados no evento foram coletados por José Carlos, representante da Associação de Reciclagem, Coleta e Serviços (Arcoser) de Cotriguaçu, cujo depósito fica localizado nas proximidades do terreno do aeroporto, onde ficava o antigo motor da Rede Cemat. No local, podem ser entregues itens recicláveis, desde papelão a plástico.

Rede de colaboração

Um processo colaborativo foi construído para o lançamento do evento. Na parte gastronômica do evento, houve apoios de algumas organizações e pessoas físicas, com doações ou cessão de uso de itens, desde alimentos a cadeiras. Entre os colaboradores, estavam a Distribuidora de Bebidas Cotriguaçu (com mesas e cadeiras), Padaria Tradição (torradas), Restaurante Paranaense e Supermercado Casa Nostra (pedaços de frango para o caldo), Sicredi (copos e guardanapos) e Supermercado Ribeiro (sacos de canjica). A Associação Espírita Lar das Orquídeas cedeu os cavaletes para a exposição fotográfica e a Rádio Comunitária Arco-Íris multiplicou a divulgação do lançamento. O ICV contribuiu com a faixa, logotipo e processo de construção e comunicação do evento.

Um grupo de moradores do município, que participou da organização do evento, também contribuiu com diferentes itens, desde pagamento de contribuição de gasto de energia à Paróquia a alimentos, itens de limpeza e destinados ao bazar, além de ajudar voluntariamente no dia do lançamento. Os colaboradores foram:

Adalberto Cazarim, Carolina Jordão, Ailton Amorim, Alisson Douglas, Carlos José, Denise Schutz Freitas, Dijeany Castanha, Edmilson Nascimento, Elisangela Sodré, Francisca Luiza da Silva Barros, Helena de Jesus Moreira, José Amorim, Manoel Arcanjo, Rose Santos, Sérgio da Silva, Solène Tricaud, Sucena Shkrada Resk, Suzanne Scaglia, Veridiana Vieira, entre outras pessoas.

A campanha está sendo apoiada pelo ICV, por meio do Projeto Cotriguaçu Sempre Verde – Fase 2, que busca consolidar uma nova trajetória de desenvolvimento municipal, pautada na construção de soluções sustentáveis de produção e governança socioambiental. O projeto iniciado em 2011 tem o apoio do Fundo Vale. A iniciativa recebeu o apoio da Prefeitura Municipal de Cotriguaçu, que esteve representada no lançamento pela prefeita Rosangela de Nervis, e tem a parceria da Secretaria Municipal da Educação e apoio da ONF-Brasil, no Concurso Fotográfico “Meu olhar sobre o Juruena e seus Afluentes”.

Vídeo do II Festival Juruena Vivo

O II Festival Juruena Vivo, promovido pela Rede Juruena Vivo e Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Juína, e realizado nos dias 9 e 10 de outubro de 2015, levou à cidade de Juína, povos indígenas e agricultores presentes, importantes reflexões sobre o destino da sub-bacia do rio Juruena, ameaçada por atividades predatórias e a previsão da presença de mais de 102 hidrelétricas, entre as planejadas, em construção e as já em operação.

Na programação, além das discussões, teve o Festival da Canção, a feira de produtos da agricultura familiar, a exposição das águas e o show de encerramento do artista nacional Victor Batista.

Veja no vídeo abaixo os detalhes do II Festival Juruena Vivo.

Eles querem o Juruena vivo

Para não deixar a histórica vila de Fontanillas sucumbir debaixo d’água, professora fala sobre a magia do Juruena e sua importância para a região.

Por Andreia Fanzeres/OPAN

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Foto: Andreia Fanzeres/OPAN

Distrito de Fontanillas, Juína-MT – Ela é daquelas professoras com quem dá gosto de conversar. Português preciso, corretíssimo, lição para quem escuta. Soteropolitana – o sotaque não deixa esconder – viveu em Dourados (MS), mas foi através de um concurso público que a levou às margens do rio Juruena, para a vila que nos anos 70 foi o primeiro porto para colonização do noroeste de Mato Grosso: Fontanillas. Sua missão sempre foi a escola, a quem dedica os 21 anos de trajetória naquele distante pedaço de chão. O engajamento com o ensino fez de Elani dos Anjos Lobato um expoente entre os 183 habitantes de Fontanillas, por isso logo sua determinação foi sendo também importante para tocar os trabalhos da associação de moradores, que enfrenta hoje o desafio de lutar para que tanta história e tanta natureza não sejam afogadas pelo lago de uma hidrelétrica.

“Se for para o bem do Juruena, eu vou”, disse Elani quando durante o II Festival Juruena Vivo, realizado em Juína em outubro de 2015, ela foi convidada a retornar pelos 60 quilômetros que separam a cidade de seu mais antigo distrito – 40 dos quais em estrada de terra – para a realização desta entrevista. Ao longo do caminho, a paisagem desoladora de pastos degradados a fazia relembrar o quão diferente era a região quando por lá aportou. “Naquela época era só mato. A gente tinha dificuldade para passar, tinha que ter machado porque as árvores chegavam a fechar a estrada. É uma tristeza ver essa destruição”, lamenta.

A estrada, que estava cascalhada e em excelente estado de conservação, não condiz com as condições enfrentadas pelos moradores ao longo do ano. “A prefeitura arrumou a estrada por causa do festival de pesca, que aconteceu em setembro”, diz Elani. Esta é a única época do ano em que Fontanillas volta a ver um número equivalente àquilo que havia na época de sua fundação, quando chegaram a viver cerca de cinco mil pessoas ali. “Era barraca em todos os quintais, lixo espalhado pela comunidade, e depois todo mundo vai embora”, conta a professora.

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Foto: Andreia Fanzeres/OPAN

O distrito, que homenageia o então governador de Mato Grosso, José Manoel Fontanillas Fragelli (1971-1975), tem como sua principal atividade o turismo, mesmo carecendo de estrutura. Os remansos e rebojos cristalinos formados pelo rio Juruena fizeram de Fontanillas um balneário bastante procurado nos finais de semana por famílias das cidades do noroeste do estado. E perigoso também. Este é um trecho em que o Juruena se afunila. O rio corre depressa entre Fontanillas, na sua margem esquerda, e a Terra Indígena Erikpatsa, no lado direito. A velocidade é tanta que, por causa dos redemoinhos formados pelas pedras no fundo, atravessá-lo pode ser um desafio mortal. O movimento daquelas águas é hipnotizante. “O Juruena é mágico porque ele faz com que a gente se sinta vivo aqui. Temos essa relação mística, com deus, com a natureza, com o nosso par, com quem está perto. Ele faz essa ligação maravilhosa entre a gente daqui de Fontanillas com o chão do outro lado da aldeia. Ele diz que nós somos irmãos, parceiros de um mesmo lugar, uma mesma vida”, reflete Elani.

Fontanillas debaixo d’água

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Mapa JRN577, imagem Google Earth

O dinamismo das águas do Juruena nesse trecho atraiu a atenção do governo, mas não para aprimorar o turismo, a pesca, a agricultura familiar ou outras atividades que fortalecessem o desenvolvimento econômico e social de Fontanillas. Ao contrário disso, a ideia é deixa-la debaixo d’água. De acordo com os estudos de inventário hidrelétrico da bacia do Juruena aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2011, justamente na altura do distrito de Fontanillas está prevista a instalação da usina hidrelétrica JRN 577, com potência de 225 MW e 563 quilômetros quadrados de reservatório. De todas as usinas previstas para a bacia do Juruena, esta é a única que, para existir nessas condições, precisará afogar por inteiro uma área urbana.

Segundo a Avaliação Ambiental Integrada da bacia do rio Juruena, realizada pela CNEC Engenharia S.A. e contratada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), “O maior impacto no que concerne à população diretamente afetada, sem dúvida, ocorrerá em Fontanillas, onde a inundação do sítio atualmente ocupado pela formação do reservatório alterará não somente as condições físicas da localidade e dos pontos de pesca utilizados, como possivelmente as relações de produção e relações de vizinhança da população, uma vez que o novo local de reassentamento da localidade, pode levar à indução de um rearranjo nas formas vigentes de organização da sociedade”, afirma um trecho do documento.

escola

Foto: Andreia Fanzeres/OPAN

Ele relata, também, que devido à baixa densidade populacional de Fontanillas, o impacto social não deverá ser expressivo. Esse é mesmo um fator de fragilidade que a Associação de Moradores de Fontanillas quer enfrentar. “Se formos embora daqui, fica mais fácil perdermos o nosso Juruena, perdermos essa luta”, diz Elani. “Não há políticas públicas que incentivem a permanência da população neste lugar. Os moradores, chacareiros e sitiantes foram vendendo suas propriedades para os grandes fazendeiros do entorno. Até a pesca vem decrescendo”, diz. O posto de saúde da vila fechou, obrigando os moradores ao penoso trajeto até Juína, sendo que também não há linha regular de ônibus. Restou a escola – construção erguida totalmente em mogno em 1976, porto seguro de Elani e literalmente o ponto de resistência de quem vive em Fontanillas.  “Estamos lutando para que a nossa escola permaneça aberta. Recebemos crianças da alfabetização ao ensino médio, inclusive crianças do povo Rikbaktsa que vêm estudar aqui”, afirma a professora.

Enquanto os moradores de Fontanillas investem suas vidas no fortalecimento da vila, os projetos que querem vê-la sucumbir correm paralela e silenciosamente. “Desde 2008, quando pela primeira vez nós soubemos das usinas hidrelétricas no Juruena, nunca fomos chamados para nenhuma discussão. Nem aparecemos nos mapas. Nada nos foi perguntado. Nos sentimos formigas, invisíveis. Foram os Rikbaktsa que falaram conosco”, relata Elani, que enxerga vida longa à vila que a acolheu. “A gente acredita que é capaz de manter o Juruena vivo e a partir dele gerar renda com o ecoturismo. As pessoas precisam aproveitar as belezas naturais que podemos oferecer. Isso aqui é qualidade de vida. Isso não é olhar futurista. A gente não quer que o Juruena melhore porque ele já é bom. Queremos que ele permaneça deste jeito”, conclui.

outro lado terra indigena

Foto: Andreia Fanzeres/OPAN

 

Saiba mais:

Rede Juruena Vivo – www.redejuruenavivo.com
Email: redejuruenavivo@gmail.com

Mapa com inventários hidrelétricos na bacia do Juruena (clique aqui)

 

Contatos com a imprensa

Andreia Fanzeres – andreia@amazonianativa.org.br                                          Telefone: 65 3322 2980 e 65 84765620                              Site: www.amazonianativa.org.br

Cotriguaçu lança campanha pela sustentabilidade do município

Por Sucena Shkrada Resk/ICV

Publicado em 10 de novembro de 2015 pelo Instituto Centro de Vida (ICV)

A Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade será lançada no próximo dia 20 de novembro, das 18h às 21h, no salão paroquial de Cotriguaçu, no noroeste mato-grossense. A iniciativa está sendo amadurecida desde o mês de agosto, por um grupo da sociedade civil, com o objetivo de elaborar propostas de ações contínuas para construir a identidade de Cotriguaçu como município sustentável, com gestão participativa. São representantes de diversos segmentos, entre eles, da agricultura familiar, educação, do meio ambiente, do terceiro setor e do comércio.

A ideia é disseminar as ações e resultados positivos de práticas sustentáveis já existentes no município; sensibilizar a população sobre a importância do uso racional dos recursos naturais; desenvolver uma mobilização contínua da sociedade para participar do processo e implementar compromissos setoriais firmados na Carta Cotriguaçu Sempre Verde. No documento, são tratados temas com relação à formação de capital social e humano, pecuária, turismo, agricultura familiar, serviços básicos, regularização fundiária, áreas verdes urbanas, áreas protegidas, água e redução do desmatamento e degradação florestal.

A campanha propõe, ainda, um alinhamento com as metas previstas no Programa Mato-Grossense de Municípios Sustentáveis, do qual a cidade faz parte.

No próximo dia 20, serão esclarecidos estes objetivos e apresentadas algumas das propostas de ações para a comunidade local. Um dos resultados esperados é a formação de um fórum permanente, como espaço de discussão democrático e de consolidação de ações, envolvendo a comunidade, o terceiro setor e os três poderes públicos (executivo, legislativo e judiciário).

Ao mesmo tempo, será realizada uma programação cultural diversificada, com encenação teatral com temática socioambiental, feira de produtos da agricultura familiar e lançamento do concurso de fotografia “Meu Juruena e seus afluentes”, aberto à sociedade local, como incentivo à conservação dos recursos hídricos. No saguão estará sendo exposta a mostra fotográfica “As diferentes faces do Juruena”, de Thiago Foresti, sobre o principal rio da região, realizada pela Forest Comunicação.

A campanha tem a colaboração do Instituto Centro de Vida (ICV), por meio do Projeto Cotriguaçu Sempre Verde – Fase 2, que busca consolidar uma nova trajetória de desenvolvimento municipal, pautada na construção de soluções sustentáveis de produção e governança socioambiental. O projeto iniciado em 2011 tem o apoio do Fundo Vale. Também está sendo apoiada pela Prefeitura Municipal de Cotriguaçu, pela ONF-Brasil, pela Distribuidora de Bebidas Cotriguaçu e por pessoas físicas que estão contribuindo individualmente com o movimento.

SERVIÇOS:

Campanha Cotriguaçu a Caminho da Sustentabilidade
Data: 20/11/2015
Período: 18h às 21h
Local: Salão Paroquial de Cotriguaçu (avenida 20 de Dezembro, 124), Cotriguaçu, Mato Grosso.
Entrada gratuita

Mais informações e solicitação de entrevista: cotricaminhosustentabilidade@gmail.com

 

E o Juruena virou música

Rede Juruena Vivo promove festival cultural na cidade de Juína e se reúne para discutir o futuro da bacia.

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Marcelo Manhuari Munduruku vence o concurso musical do II Festival Juruena Vivo. Foto de Carla Ninos.

Por Andreia Fanzeres

Juína, MT – Nem mesmo a chuva de invernada que surpreendeu quem estava no noroeste de Mato Grosso em pleno mês de outubro tirou o brilho e a emoção do II Festival Juruena Vivo. O evento, promovido pela Rede Juruena Vivo e pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Juína com apoio de diversos parceiros locais levou à cidade importantes reflexões sobre o destino da sub-bacia do rio Juruena – ameaçada por atividades predatórias e a previsão da presença de mais de 102 hidrelétricas, entre as planejadas, em construção e as já em operação. Quem quer ver esta região íntegra e sadia no futuro optou por tocar os corações por meio da cultura. E o Juruena virou música.

“Juruena caminho dos peixes/ Juruena caminho dos ventos/ Juruena caminho dos povos da Amazônia”, cantou Marcelo Manhuari Munduruku, que com este refrão contagiante e uma letra que levou parte do público às lágrimas, venceu o festival. “Desde criança eu cresci à beira do rio. Tenho intimidade com os temas que cantei. Aí foi só transformar os sentimentos em palavras e as palavras em poesia”, diz o autor.

Em segundo lugar ficou o reggae “Canção pro Juruena” de Mikael Henrique da Silva, que optou por um clima animado e descontraído para falar de assuntos sérios, como tarifa de energia, os atingidos por barragens e o respeito aos povos tradicionais. A canção “O paraíso é aqui”, de Cassio Fraitag, ganhou o terceiro lugar e evocou os diversos usos do rio Juruena, que mata fome, alegra a alma e refresca os dias quentes de quem vive às suas margens.

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O violeiro Victor Batista anima o público com delicadas canções sobre a natureza e o bem-viver. Foto de Andreia Fanzeres.

O júri que definiu os vencedores foi formado pelo arte-educador Herman Oliveira, a arte-terapeuta Gabriela Neves e por Victor Batista, cantor, compositor, arte-educador e violeiro autodidata que encerrou a noite com um show inesquecível. Através de suas composições delicadas e profundas sobre a vida do Cerrado, cantou o cotidiano de quem tira o sustento da terra, fazendo todos dançarem e cirandarem com sua viola encantada. Após o show, o artista prometeu levar a mensagem pela proteção do Juruena aos outros cantos do Brasil em suas turnês.

Evento de alto nível

“Foi um evento de alta qualidade artística”, avalia Liliane Xavier, militante do coletivo Aacuarela, que faz parte da Rede Juruena Vivo. A proposta de chamar as pessoas para discussão por meio da sensibilização foi elogiada por quem compareceu a Juína e prestigiou também a Exposição das Águas, com imagens inquietantes sobre a história de degradação dos rios brasileiros e as riquezas da bacia do Juruena, clicadas pelos fotógrafos Adriano Gambarini e Thiago Foresti.

Com imagens de Adriano Gambarini e Thiago Foresti, a Exposição das Águas levantou discussão sobre futuro do rio Juruena. Foto de Carla Ninos

Com imagens de Adriano Gambarini e Thiago Foresti, a Exposição das Águas levantou discussão sobre futuro do rio Juruena. Foto de Carla Ninos

“Esta exposição chama a atenção para como estamos tratando os nossos rios, fontes de vida no Brasil. O ranking do IBGE apresenta os dez rios mais poluídos do país por lixo industrial, agrotóxico, esgoto, barragens… e essas imagens chocantes contrastam com a beleza do Juruena. Desenvolvimento precisa ser sinônimo de morte dos nossos rios? Esta é a reflexão que esta exposição deixa para quem a visita”, comenta Andrea Jakubaszko, organizadora do evento e membro da Rede Juruena Vivo.

Paralelamente aos shows acontecia também a feira de produtos da agricultura familiar e arte indígena. Sob as tendas no Centro de Eventos de Juína era possível encontrar óleos e farinha de babaçu, própolis, mel, biscoitinhos e até macarrão de castanha-do-Brasil, barras de cereais, buchas vegetais, publicações distribuídas gratuitamente sobre gestão territorial indígena, ICMS Ecológico, mudanças climáticas, além de colares, anéis, brincos (de tucum e miçanga) e ornamentos indígenas, em geral.

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Veridiana Vieira apresenta seus produtos na feira livre durante o II Festival Juruena Vivo. Foto de Carla Ninos.

Mesmo com todas essas atrações, ainda é preciso insistir para que a população local se sinta mais estimulada a participar. “As pessoas geralmente não estão acostumadas a refletir sobre o espaço em que estão. Mais gente precisava ter visto e vivido tudo isso”, diz Liliane. “Quando a gente começa a abordar esse tipo de assunto, as pessoas têm um pouco de resistência. Mas quando elas se permitem, não tem como sair dessa experiência da mesma forma”, completa.

Desenvolvimento social é outra coisa 

Este é realmente um dos desafios da Rede Juruena Vivo nos próximos anos: garantir acesso à informação para viabilizar a participação popular na valorização e proteção do Juruena sobre as políticas públicas que afetam as comunidades. “A informação tem que circular. E este é um tema complicado, em que a população tende a se recuar pela desinformação. O que discutimos nas mesas promovidas durante o festival precisa ser difundido massivamente”, recomenda Cleiton Silvestrim, presidente da Associação de Moradores de Fontanillas, também componente da Rede Juruena Vivo.

Para conversar sobre o futuro da bacia do Juruena, a organização do evento chamou Daniel Rondinelli Roquetti, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam/USP), grupo que reuniu valiosos dados sobre todos os municípios alagados por barragens no Brasil. Isso permite a realização de diferentes análises que ajudam a elucidar uma questão que é propalada pelos governos como absoluta certeza: afinal, as hidrelétricas induzem ao desenvolvimento local? Essa análise comparativa demonstrou, a partir dos principais indicadores sociais analisados, que, ao contrário do que se imagina, não há melhoras no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) desses municípios.

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Andrea Jakubaszko abre as discussões diante dos membros da Rede Juruena Vivo. Foto de Dafne Spolti.

“O que percebemos é que, comparados a seus vizinhos regionais, os municípios que abrigam as usinas passam por uma aguda transformação social. Há muitos casos em que é claro o aumento da prostituição, de doenças sexualmente transmissíveis, do consumo de álcool e drogas. Temos a hipótese de que o único momento em que o governo pensa no desenvolvimento local é durante a implantação de obras de infraestrutura”, explica Roquetti.

Além dessas discussões, o Festival apresentou oportunidades para os municípios prosperarem ambiental e socialmente sem arriscar seus mais importantes ativos naturais. Algumas das apostas é investir em uma maior participação e influência sobre o Programa Mato-grossense de Municípios Sustentáveis ou por mais adesões e pressões a favor de fontes energéticas, como a solar. “Ou nos damos conta e conseguimos mobilizar a população para produzir a energia que precisamos sem mexer nos rios da Amazônia ou a Amazônia vai-se embora junto com seus rios”, diz Ivo Poletto, da Campanha Nacional Energia para a Vida. Junto com o engenheiro eletricista Joilson Costa, da Frente por uma Nova Política Energética para o País, eles apresentaram a intensa mobilização nacional para diversificação da matriz energética brasileira e as grandes oportunidades da microgeração distribuída de energia.

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Cleacir Sá, moradora de Brasnorte, expõe relevantes questões sobre o papel das comunidades no controle social. Foto de Dafne Spolti.

“Nós vamos levar toda essa informação que estamos vendo aqui para conhecimento da nossa região através da nossa rádio comunitária e das salas de aula”, afirma Gilmar Schmitt, professor no Projeto de Assentamento (PA) Tibagi, no município de Brasnorte.

“Vida para nós, indígenas, é liberdade. É poder remar, poder nadar e ensinar a nadar. Nosso rio Juruena, o Arinos e o Sangue já estão assoreados por causa das grandes lavouras que se instalaram. Nossos filhos vão chorar por falta de água e nossa liberdade vai acabar. Estão iludindo os líderes indígenas. Alguns, por ganância, entregam nossa identidade, a nossa liberdade. E assim vai a nossa cultura. Estou preocupado, estou na luta. Não vamos esperar de braços cruzados!”, conclamou o professor Paulo Skirip, do povo Rikbaktsa.

Para se fortalecer, a rede pretende estruturar melhor seus grupos de trabalho a fim de multiplicar a capacidade de as comunidades receberem e transmitirem informações cada vez mais qualificadas. E isso deve acontecer por meio da constituição do que têm se chamado “Núcleos Olhos d’água”. “A Rede está se articulando de forma bacana, mas tem que trabalhar ainda sua organicidade, amarrando também os acordos com o poder público”, diz Silvestrim.

“No PA Juruena queremos formar um núcleo, é a segunda vez que participamos deste Festival tão bonito e se não nos prepararmos vamos ficar debaixo d’água”, diz Veridiana Vieira, liderança do PA Juruena, no município de Cotriguaçu.

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Elani Lobato, professora no distrito de Fontanillas, reclama direito de comunidades ribeirinhas serem ouvidas nas tomadas de decisão. Foto de Dafne Spolti.

“Desde que ouvimos pela primeira vez que iriam construir hidrelétricas no Juruena, em 2008, não fomos chamados para nenhuma discussão. Não aparecemos nos mapas. Nunca fomos ouvidos. E foi aqui que a história de Juína começou”, diz a professora Elani dos Anjos Lobato, moradora de Fontanillas há 21 anos.

Essa é uma percepção recorrente. Quando a população é chamada para a discussão, a pauta costuma ser compensação e mitigação, mas não prevenção, definição de agenda de desenvolvimento propriamente dita porque a decisão já está tomada. “Nos estudos de impacto da usina de São Luiz do Tapajós não havia nada sobre as populações afetadas. Essa parte vai entrar depois como anexo!”, lembra Ivo Poletto. E é isso que, na bacia do Juruena, a Rede pretende evitar. As comunidades ali reunidas e representadas, definitivamente, não querem ser tratadas como anexo.

Cantemos o Juruena

Juína sedia nesta sexta e sábado o II Festival Juruena Vivo, com vasta programação cultural em homenagem à integridade do rio Juruena.

 Por Andreia Fanzeres

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​I Festival Juruena Vivo, realizado em Cotriguaçu-MT, em novembro de 2014. Foto: Thiago Foresti.

Juína, MT – Centenas de pessoas, entre agricultores familiares, indígenas e representantes da sociedade civil dos municípios do norte e noroeste de Mato Grosso, são esperadas na próxima sexta-feira em Juína, a 750 quilômetros de Cuiabá, para uma agenda de palestras e atividades culturais voltadas à reflexão sobre a integridade do rio Juruena no desenvolvimento regional. O II Festival Juruena Vivo, realizado pela Secretaria de Educação e Cultura de Juína e pelo coletivo Rede Juruena Vivo, inclui mostra de vídeos, feira de produtos da agricultura familiar e arte indígena, exposição fotográfica, festival da canção e um show de encerramento com o violeiro de destaque nacional, Victor Batista. Tudo de graça.

Este é o II Festival Juruena Vivo. O primeiro aconteceu em novembro de 2014 na Fazenda São Nicolau, administrada pela ONF Brasil, no município de Cotriguaçu. Naquela ocasião, foram discutidas experiências de gestão territorial e informações sobre licenciamento ambiental, propiciando, sobretudo, a oportunidade de diálogo entre os diversos habitantes da região. “Nossa intenção é levar informação e favorecer a união de pessoas que vivem em diversos locais da bacia do Juruena, e que a cada ano um município se habilite a sediar este importante evento, que tende a se tornar tradição”, diz Andrea Jakubaszko, da comissão organizadora do I e do II Festival Juruena Vivo.

“A prefeitura de Juína, através da Secretaria de Educação e Cultura, se envolveu no Festival Juruena Vivo por acreditar o projeto interessante, contribuindo para o desenvolvimento social da população do Vale do Juruena”, diz o secretário da pasta, Ericson Leandro. “Estamos atendendo artesãos e ribeirinhos da região, além de levar a cultura mato-grossense para o município de Juína e região”.

O município, que este ano não pôde realizar o Festival da Canção de Juína (Fescaju), resolveu investir no II Festival Juruena Vivo, que terá também seu concurso musical. Com premiação para quem cantar as melhores músicas que falem da importância da bacia do Juruena, a ideia é sensibilizar a população para os usos dos rios da região, que drena 70% do estado de Mato Grosso e forma o majestoso Tapajós.

O rio Juruena, cujo acesso fica a cerca de 60 quilômetros da sede municipal de Juína, atrai centenas de pessoas todos os anos para o Festival de Pesca de Fontanillas no mês de setembro. “O rio é bastante procurado também para lazer, especialmente em uma ilha bastante frequentada aos sábados e domingos. E para a sobrevivência de ribeirinhos e indígenas, que fazem produtos artesanais a partir de frutos que ficam nas margens do rio e utilizam o Juruena como rota de transporte e caminho para a escola”, diz Ericson Leandro, da Secretaria de Educação e Cultura de Juína.

História e vida no Juruena

Em toda a bacia vivem cerca de 500 mil pessoas. Há 38 assentamentos, 11 povos indígenas em 20 territórios tradicionais reconhecidos, além de uma rica biodiversidade que abrange muitas espécies endêmicas, especialmente nas cachoeiras, e áreas chamadas de hot spots, ou seja, importantíssimas para a conservação da natureza. Entretanto, além de ameaças concretas à região como a contaminação por agrotóxicos e o desmatamento, a bacia do Juruena tem pelo menos 102 projetos de hidrelétricas, entre as que já estão em funcionamento, em construção e outras que ainda não saíram do papel.

De acordo com o planejamento energético do governo federal, o distrito de Fontanillas, que pertence à Juína, poderá ficar debaixo d’água se as hidrelétricas no Médio rio Juruena forem erguidas. “Fontanillas possui um ambiente frágil, em sua maioria composto por solo rochoso, sendo que qualquer alagamento seria catastrófico, uma vez que a água não tem para onde escoar ou infiltrar”, explica Cleiton Silvestrim, presidente da Associação de Moradores de Fontanillas. O distrito faz parte da história da região noroeste, porto de chegada dos colonizadores e local de construção da primeira escola do município. “A população tem uma relação direta com o rio, inclusive para lavar roupa e abastecer as casas com água, além dos povos ribeirinhos, pescadores e agricultores em seu entorno”, continua Silvestrim.

Diversas organizações e coletivos da região já vinham sentindo a necessidade de ampliar o debate sobre o desenvolvimento regional considerando o rio Juruena íntegro. Por este motivo, resolveram formar a Rede Juruena Vivo. “Com o Festival, a população é chamada a conhecer e reconhecer os potenciais do rio Juruena, refletir sobre a vida existente e valorizar cada vez mais. Inclusive, abre oportunidade aos interessados de discutir junto aos assentados, ribeirinhos, indígenas, técnicos, educadores, reunidos na Rede Juruena, melhorias que rumam para a construção de um futuro sustentável para a região”, afirma Liliane Xavier, militante no coletivo AACUARELA, que compõe a Rede Juruena Vivo.

Esta rede vem crescendo a cada ano como um espaço de trocas de informações, formação de pessoas conscientes e questionadoras sobre seus direitos coletivos e individuais. Segundo Silvestrim, ela pode contribuir também no auxílio à execução de propostas que valorizem as populações tradicionais e a manutenção do homem no campo. “Podemos tomar por base o potencial turístico local que vem sendo explorado de forma desorganizada e desordenada ‘com baixa consciência socioambiental’. Seria muito importante para a população local organizar o setor turístico como forma de valorização local”, opina o presidente da Associação de Moradores de Fontanillas.

“Nossa preocupação é levantar a importância deste rio que já contribuiu para a nossa colonização e a valorização da região pela questão cultural. Vamos deixar a sociedade falar e conversar. Esta é a forma que o município encontrou para chamar a atenção do rio e deixar a população decidir”, completa Leandro, da Secretaria de Educação e Cultura de Juína.

Serviço:   

Data: 9/10/2015, sexta-feira
Local: Casa de Retiro da Diocese de Juína

19h40 – Abertura: Painel com especialistas e convidados sobre recursos hídricos e desenvolvimento sustentável.

20h – Daniel Rondinelli Roquetti (USP)

20h30 – Francisco Machado (UFMT/MPE)

21h – Ivo Poletto (Campanha Nacional Energia para a Vida)

21h30 às 23h – Diálogo com o público.

Agenda cultural
10/10/2015, sábado
Local: Centro de Eventos de Juína

– A partir das 16h30 Exposição Fotográfica das Águas

– A partir das 17h Feira Livre e Mostra de Vídeos

– 20h Festival da Canção

– 22h Show de encerramento com o violeiro Victor Batista – Show Recital do Violeiro

Mais informações: http://www.redejuruenavivo.com